NAS MINHAS VEIAS CORREM SEMPRE SONHOS VERDES
COMO VERDES LAGARTOS BANHADOS DE SOL,
COMO MANSOS REGATOS QUE LEVAM AO NADA,
SUGERINDO PRIMAVERAS,
PERFUMANDO OS VENTOS,
ESPERANDO O MOMENTO QUE A TUA PRESENÇA ACONTEÇA.
CAMINHO ENTÃO DENTRO DE MIM SEM PRESSA ALGUMA,
COMO ESPERANDO ASSIM A TUA VINDA SUBITA,
CAVALGANDO EM TEMPESTADE OS MEUS SENTIDOS,
MAS SÓ O CONTINUAR MANSO DA BRISA VAI FLUINDO,
QUE DE TÃO LEVE NÃO MODULA NEM MEUS SONHOS.
FICO SEMPRE A TUA ESPERA E NÃO TE ENCONTRO,
POR MAIS QUE BUSQUE E QUE PERCORRA OS TEUS DOMINIOS,
POR MAIS QUE AGUCE OS MEU OUVIDO AOS TEUS CLAMORES,
POR MAIS PERTO DE TI NÃO ME APROXIMO.
NAS MINHAS VEIAS CORREM SEMPRE SONHOS VERDES
COMO A VERDE GARAPA DA TUA BOCA INFINITA,
MELANDO OS INSTINTOS QUE ESCORREM EM DESEJOS,
COMO DOCE ALFAZEMA NAS PLUMAS DE UM LEITO.
E TE PROCURO TANTO AO REDOR DOS PENSAMENTOS
JUSTIFICANDO EM VÃO, À MIM, MEUS DESENCONTROS,
EM MEIO A TANTOS EUS QUE EM TI PRESSINTO.
TALVEZ DEPOIS DE UM DIA OU DE UM MOMENTO
ME PERCORRENDO EM MEIO A RIOS DE LABIRINTO,
DE TI EU FAÇA ENCONTRO DO QUE TENTO,
E DO TENTAR, PAIXÃO, EM QUE ME TINTO.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
DESENCONTROS

Em meio ao maio eu me procuro
nu, profetizando tempestades,
e me procuro tão intensamente
que nunca me encontro,
tão superficialmente para mim
os meus sentidos.
Mas, me buscar por ti, pode valer a pena
embora eu me demonstre sempre e tôdo,
que não consegues me ver, naturalmente.
Onde a minha paixão só vês a inquietude
somatizando o verbo suplice do tempo,
milagre do espirito proscrito feito carne,
cerne amargo do mundo feito lenho.
Onde o amor que tenho vês com espanto
apenas a minha dor, que nunca exponho,
e o te pertencer não basta, foge ao senso.
E tu não podes me ter porque não sabes
de que pedra sou feito, em que me engendro,
por quais razões não sorrio quando pedes,
porque sufoco meus beijos quando ries.
Por quais razões não discuto os teus motivos
tento me ver mais teu, mas não consigo,
juntar meu tempo ao teu tempo é vã promessa,
como ir buscar no teu ser o meu sentido.
Nada acrescenta ou muda ou troca de figura,
desmotivando as penas que ao penar insisto,
te prometer mais não posso, ou te contento,
te pertencer mais, não quero, é sofrimento,
morrer de amor pudesse, ou de amargura.
NOTURNO CALADO
O redondo da noite se abre azul
sempre para mais noite,
com franjas de vento em sopros de vozes,
em caricias confusas que abraçam fantasmas,
que se envolvem gelados nos corpos da noite.
Com beijos de foice em sussurros velados,
nas moitas, no escuro, nas sombras dos postes,
se escondem vazias e aguardam chegadas,
olhares perdidos nos olhos que buscam
caricias, carinhos,
são vozes caladas.
Tateiam os ventos em busca de ouvidos
e trazem virtudes nas bolsas, guardadas,
em passos dourados de relva macia
vagueiam distantes
nas sujas calçadas,
são só pensamentos que aguardam destinos,
maiores momentos, melhores que o nada.
Sorrisos vestidos de angustia e saudade,
no frio da noite, na ponta da faca,
sorrisos que buscam, sorrisos que esperam,
que querem chegadas mas pedem ausências,
que choram virtudes vendidas ou dadas,
( nas bolsas vazias nem sonhos nem nada ).
E deitam serenas nas gotas de orvalho
que brincam de mel no caminho dos olhos,
que gritam, que pedem, que imploram, que riem,
veludos macios e meias verdades.
Varreres de alma repleta de dores,
macias caricias que embalam a noite
em perdidos encontros com cheiro de tantos,
perfume de afetos, rançosos odores,
remansos da tarde,
consolo das noites.
sempre para mais noite,
com franjas de vento em sopros de vozes,
em caricias confusas que abraçam fantasmas,
que se envolvem gelados nos corpos da noite.
Com beijos de foice em sussurros velados,
nas moitas, no escuro, nas sombras dos postes,
se escondem vazias e aguardam chegadas,
olhares perdidos nos olhos que buscam
caricias, carinhos,
são vozes caladas.
Tateiam os ventos em busca de ouvidos
e trazem virtudes nas bolsas, guardadas,
em passos dourados de relva macia
vagueiam distantes
nas sujas calçadas,
são só pensamentos que aguardam destinos,
maiores momentos, melhores que o nada.
Sorrisos vestidos de angustia e saudade,
no frio da noite, na ponta da faca,
sorrisos que buscam, sorrisos que esperam,
que querem chegadas mas pedem ausências,
que choram virtudes vendidas ou dadas,
( nas bolsas vazias nem sonhos nem nada ).
E deitam serenas nas gotas de orvalho
que brincam de mel no caminho dos olhos,
que gritam, que pedem, que imploram, que riem,
veludos macios e meias verdades.
Varreres de alma repleta de dores,
macias caricias que embalam a noite
em perdidos encontros com cheiro de tantos,
perfume de afetos, rançosos odores,
remansos da tarde,
consolo das noites.
domingo, 29 de abril de 2007
Adeus
Perdão pelo meu pobre coração vazio,
Pelos meus olhos que já não te encantam,
Pelas mãos frias que já não te tocam
Com o doce carinho do desejo.
O determinado tem sempre
Um tempo certo,
E assim nos busca sem qualquer aviso,
Como se nunca pudéssemos escolher
Ou decidir,
A foice vem gelada como um abismo
E deixa as nossas entranhas expostas
Ao semear do tempo,
A nos alimentar das pedras percorridas,
De visgo, de renúncias e de temporais.
Pisados nos tornamos areia e vento
No eterno moer dos sentimentos,
Onde não há perdão nem retornos,
Onde o pó vai se tornando
Cada vez mais sem brilho,
Mais seco, estéril, desapercebido,
Cada vez mais espalhado
No esconder da noite,
Na minha noite e como eu a faço,
Mais densa, mais impenetrável,
Mais dura.
Cansado das minhas memórias tortas
Que percorrem pontes que logo terminam,
Onde não podemos adiar
A compreensão do fim,
Por isso hoje te sorrio tanto
E de forma tão triste.
Pelos meus olhos que já não te encantam,
Pelas mãos frias que já não te tocam
Com o doce carinho do desejo.
O determinado tem sempre
Um tempo certo,
E assim nos busca sem qualquer aviso,
Como se nunca pudéssemos escolher
Ou decidir,
A foice vem gelada como um abismo
E deixa as nossas entranhas expostas
Ao semear do tempo,
A nos alimentar das pedras percorridas,
De visgo, de renúncias e de temporais.
Pisados nos tornamos areia e vento
No eterno moer dos sentimentos,
Onde não há perdão nem retornos,
Onde o pó vai se tornando
Cada vez mais sem brilho,
Mais seco, estéril, desapercebido,
Cada vez mais espalhado
No esconder da noite,
Na minha noite e como eu a faço,
Mais densa, mais impenetrável,
Mais dura.
Cansado das minhas memórias tortas
Que percorrem pontes que logo terminam,
Onde não podemos adiar
A compreensão do fim,
Por isso hoje te sorrio tanto
E de forma tão triste.
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