
Em meio ao maio eu me procuro
nu, profetizando tempestades,
e me procuro tão intensamente
que nunca me encontro,
tão superficialmente para mim
os meus sentidos.
Mas, me buscar por ti, pode valer a pena
embora eu me demonstre sempre e tôdo,
que não consegues me ver, naturalmente.
Onde a minha paixão só vês a inquietude
somatizando o verbo suplice do tempo,
milagre do espirito proscrito feito carne,
cerne amargo do mundo feito lenho.
Onde o amor que tenho vês com espanto
apenas a minha dor, que nunca exponho,
e o te pertencer não basta, foge ao senso.
E tu não podes me ter porque não sabes
de que pedra sou feito, em que me engendro,
por quais razões não sorrio quando pedes,
porque sufoco meus beijos quando ries.
Por quais razões não discuto os teus motivos
tento me ver mais teu, mas não consigo,
juntar meu tempo ao teu tempo é vã promessa,
como ir buscar no teu ser o meu sentido.
Nada acrescenta ou muda ou troca de figura,
desmotivando as penas que ao penar insisto,
te prometer mais não posso, ou te contento,
te pertencer mais, não quero, é sofrimento,
morrer de amor pudesse, ou de amargura.

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