segunda-feira, 30 de abril de 2007

NOTURNO CALADO

O redondo da noite se abre azul
sempre para mais noite,
com franjas de vento em sopros de vozes,
em caricias confusas que abraçam fantasmas,
que se envolvem gelados nos corpos da noite.
Com beijos de foice em sussurros velados,
nas moitas, no escuro, nas sombras dos postes,
se escondem vazias e aguardam chegadas,
olhares perdidos nos olhos que buscam
caricias, carinhos,
são vozes caladas.
Tateiam os ventos em busca de ouvidos
e trazem virtudes nas bolsas, guardadas,
em passos dourados de relva macia
vagueiam distantes
nas sujas calçadas,
são só pensamentos que aguardam destinos,
maiores momentos, melhores que o nada.
Sorrisos vestidos de angustia e saudade,
no frio da noite, na ponta da faca,
sorrisos que buscam, sorrisos que esperam,
que querem chegadas mas pedem ausências,
que choram virtudes vendidas ou dadas,
( nas bolsas vazias nem sonhos nem nada ).
E deitam serenas nas gotas de orvalho
que brincam de mel no caminho dos olhos,
que gritam, que pedem, que imploram, que riem,
veludos macios e meias verdades.
Varreres de alma repleta de dores,
macias caricias que embalam a noite
em perdidos encontros com cheiro de tantos,
perfume de afetos, rançosos odores,
remansos da tarde,
consolo das noites.

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