domingo, 13 de maio de 2007

DOS CAMINHOS





Reduzir os sentimentos
A um quase nada,
Um quase morrer
Sem luz alguma,
Sem reflexos, sem cor,
Sem movimento,
Caminhar no meio
Da fumaça
Sem rumo certo,
Sem encanto algum.
Ir rasgando o peito vazio
Em tiras
Milimetricamente perfeitas
E com elas trançar calmamente
Uma escada
Que vai sempre ao alto,
Residência da esperança,
Bambeando as mãos
Vesgas de um sono profundo,
Ao subir,
Escorregando em lagrimas
Apressadas.
Tingir os olhos de pó,
Finalmente,
E chorar de verdade,
Como um passaro sem asas
Com medo da pedra,
Sem pernas ou sorrisos,
Sem braços à cruzar.
Trapézios reluzindo verdes
Em céus desbotados,
Suicida sem rede
Tentando voar
O seu não-pêso,
Holofotes, holofotes.
A corda bamba
É uma vida inteira
Passando
Sem interesses
E sem glorias,
De um lado ao outro
De abismos
Cavados lentos
Nas sombras da memória.

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