
As ruas conviviam paralelas
E sem qualquer pressa,
Pois nunca se tornariam avenidas.
Cidade de poucas faces
E apelos pequenos,
Coraçőes ao alto,
Rumos moderados e serenos
Como virgulas,
Na sua simplicidade de espera.
Todo canto igual a qualquer canto,
Sonhos sem surpresas,
Ventos sem paixőes.
Nada de fadigas inúteis
Nesse pequeno mundo
Afogado em ilhas
Nas sombras dos morros,
Vidas leves como cascalho
Quebrado e miúdo,
Com jeito de orvalho
Em tapetes estendidos,
Palavras vazias
Engolidas na nascente,
Solidăo de bicho.
Vila de fé, năo de vida,
Espaço de almas partidas,
Perdas, insônias, ausęncias,
Dores fiéis năo resolvidas,
Balbuciar de terços
Nos văos das portas
Só entreabertas,
Como as almas,
Dentes falhos, bocas murchas
Em assobios constantes
Cortando a musica dos grilos.
A prece alimentando as certezas
E pondo esperança nos olhos,
Caminhos desimpedidos, glórias,
Carne de cada cristo
Em văo crucificado.

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