domingo, 29 de julho de 2007

ESPELHO





Cuido do sol dos meus olhos
Que buscam a beleza
Como destino do instinto,
Faro de fera, chuva que espera
Trazer febre morna,
Colcha macia, chá de aconchego,
Totem sem brilho e sem retoque
Como um farol que mostra e nunca guia.
Estranhos saberes
Daqueles que se sabem
Importantes e derradeiros,
Desde o primeiro querer
Não consentido,
Desde a negação do mundo
Como berço,
Até a realização vulgar
De todos os sentidos.
Tempo que escorre aflito
Em busca da verdade,
Tempo que corre sempre
Da verdade que se esconde.
Compreender o querer
Não é nada divertido,
Não compreender é anular
O tempo e o sentido.
Estranhos os caminhos percorridos
Perdidos entre sonhos malfadados
Buscando em vão tesões desconhecidos.

TEU DOM





As tuas mãos em prece
Caminham delicadas
Por sobre as peles
Ressentidas,
Teu dom te chama
Faminto de curas,
A dor te espera,
O silencio dos olhos
Te buscam
Como se busca a água
E a sombra
Em meio aos desertos,
A esperança te sorri
A cada momento,
Cobrindo de ungüentos
Teus dedos peregrinos,
Te mandando ir
Sempre além do além
Onde repousa o alento,
Onde o abraço
Abraça o sofrimento
E transforma o pranto
Em alegria.
As tuas mãos de vento...
As tuas mãos de vento...

DAS DISTÃNCIAS





Te amasso com os olhos
Da minha saudade,
Já que sentir se pode
E a gente se permite,
Independente dos vãos
Que estruturamos frouxos
Entre as palavras não ditas
E os compassos esquivos
Nem sempre bem aventurados.
Descobrimos então
Uma distância que não há,
Distância que não mede
Tempo ou saudade,
Apenas a não palavra
Que clareia caminhos
E pressentimentos,
Distância que faz
Por não matar
Pois é necessário a agonia
Para por em ondas
Um sem tempo infinito,
Onde filmes, fotografias,
Gotas geladas,
Vão compulsivamente escorrendo
Por peles doces e brancas.
Gostar está além do querer,
Decisão inquieta
Onde não cabe o tempo,
Apenas a espera,
Boa mãe da reflexão honesta,
Do amadurecimento e das metas.
Saudade de barco
A espera da maré,
Num cais qualquer,
De qualquer tempo.