
Te amasso com os olhos
Da minha saudade,
Já que sentir se pode
E a gente se permite,
Independente dos vãos
Que estruturamos frouxos
Entre as palavras não ditas
E os compassos esquivos
Nem sempre bem aventurados.
Descobrimos então
Uma distância que não há,
Distância que não mede
Tempo ou saudade,
Apenas a não palavra
Que clareia caminhos
E pressentimentos,
Distância que faz
Por não matar
Pois é necessário a agonia
Para por em ondas
Um sem tempo infinito,
Onde filmes, fotografias,
Gotas geladas,
Vão compulsivamente escorrendo
Por peles doces e brancas.
Gostar está além do querer,
Decisão inquieta
Onde não cabe o tempo,
Apenas a espera,
Boa mãe da reflexão honesta,
Do amadurecimento e das metas.
Saudade de barco
A espera da maré,
Num cais qualquer,
De qualquer tempo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário