
A espera é uma boca profunda
Com degraus de pedra,
Silencioso percorrer
De indistintas rotas
Que retrocedem
Ao inicio de tudo,
Em penosa lentidão
De caracóis sem rumo.
Há sempre um quase
Interrompendo os labirintos,
Suores frios
Entalhando faces,
Velas sem vento, insônia,
Sempre um coração alongado
Em si batendo,
Surdo, surdo,
Gritando quieto
Ao perceber o tempo.
Há sempre um que de morte,
Um desaviso,
Presságio de nadas
Soltos nos vazios,
Qualquer coisa de desequilíbrio,
De deixar de ser, de nicho,
Paredes brancas sem marcas,
Sem moscas,
Sem qualquer sentido.

Nenhum comentário:
Postar um comentário