
Parei de falar de todo eu
Comigo.
Descontada a moagem
Do espírito
Desnecessária e afoita
E já exposto infiel
Ao ato da ressurreição
Da carne,
Venho deixando aos poucos
De me buscar em mim,
Como uma gralha surrada,
Quase como uma descoberta
Tardia e sonolenta
De que o mundo existe inteiro
Além dos meus pés,
Que se medidos
Não tem o peso de um pão.
Por isso venho emperrando
Essas vertigens doentias
De me buscar em tudo
Onde nunca estive,
Como à um sol já posto,
Não por desquerer,
Nem por mais ou menos
Necessário ou justo.
Na verdade foram anos
Sem qualquer sentido
Visto que só por viver
A gente sem querer se acha,
E vai até o fim
Tentando esquecer o já sabido.
Vai-se o eu, ficam-se os nós.

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