
Em desespero
Doemo-nos aos famintos
Como ultima migalha
De uma ceia penitente
Que se arrasta neste mundo
Inverso e sem sentido,
Em pedaços regulares, sempre,
Obedecendo aos códigos estabelecidos,
Em meias metades configurados
E em múltiplas versões diluídos.
Como sementes estéreis,
Como pasmos objetos indefinidos,
Como adubo inorgânico de vida
Seremos ingeridos,
Com a maquiagem tosca
Que nos cabe,
Com todos os nossos incapazes desabrigos..
Vamos ao pó do ultimo grito
Sem renascer, sem reflexos,
Puras esferas ocas no infinito.


