PARA LUIS FERNANDO,MEU EU DISTANTE.
Não te pergunto da tua partida
Porque dentro de mim
Não permanecem mais
Tuas chegadas.
Façamos um acordo rápido
De justo amor contido:
Você não olha mais
Para os meus olhos
E eu não penetro nos teus,
Simples assim,
Pois não pode haver cumplicidade
Nas ausências, nem permissões,
Não pode haver tremor
Que traia
Um proceder de afeto umbilical,
Um rito,
Não pode haver saudade satisfeita
Nem emoção feroz que não se corrija,
Que sem querer desnude,
Que só contemple e assista.
Vai então bem devagar, calado,
Fugido, escondido, exilado,
Vai devagar
Sem que eu te veja,
Não bata a porta, não sorria.
Nem sequer respire,
Pois ao mais leve sopro teu
Meu coração acorda
E fica tão vazio,
Te pedindo que espere,
Que espere tanto
Que não partas nunca,
Nem por um instante,
Que sopre mais aos meus ouvidos
O teu riso
E que desfie ante meus olhos
Tuas farsas.
Deixa meus sentidos fechados,
E meu querer distante,
Vai
Porque é teu destino ir,
Mas não me acorde.

Nenhum comentário:
Postar um comentário