sexta-feira, 16 de novembro de 2007

DOS AVISOS






A morte pode esperar por seu aviso,
Sonos de vida não devem ser despertados.
Cada amigo que morre é um eu que se vai
Triste, como um choro de sanfona,
Vazio como a saudade do tempo.
Por isso não há pressa em se saber da morte,
Como veio, como foi,
Para onde? Para sempre.
Um nunca mais sem graça e sem encanto,
Como tudo aquilo que não volta,
Então porque a pressa em saber?
Providenciar, vestir, enterrar,
Conter a angustia que sufoca,
Sorrir para não mostrar.
Que a noticia venha lenta
Que quase não chegue,
Aos tropeções, gaga, quase inaudível,
Apenas um sussurro de vento
Que não chega a machucar, dizendo:
Ele se foi, se foi, se foi...........
Como uma ultima folha que cai.

DOS SENTIMENTOS





Joguem-me as pedras
Que não me pertencem,
Delas é o meu corpo
E o meu sentir ligeiro,
Leves plumas que eu acolho por inteiro
E a quem me entrego
Com a doçura do sabor de um beijo.
Joguem palavras, pragas, pesadelos,
Que a tudo acolho
Humilde e passageiro,
Serenamente frio
Como um mal amado
Com um toque fino de infantil desejo.
E assim me entrego
Tão avulso e leve
Como quem vive entre a paixão
E o desespero,
Pois amar tanto
É ter nas pedras seu destino
E se doar
É construir de pedras o seu ninho,
Sem retoque ou zelo.

REVOADA





A mim só volto
Para refletir
O que de outros tiro:
Alguma família
Que já tive,
Alguma busca
Desencontrada
E depois perdida,
Alguma reta
Ou qualquer outro
Desvio.
Caminhos tortos já nem sei,
Andei-os todos,
E sentei em cada pedra
E escrevi versos
Em cada muro,
De paixão ou discórdia.
E sonhei,
Só eu vivi o tanto
Que sonhei.
Chorar só para fingir
De gente grande,
O bastante para sentir
Que se não chorar não vale,
Nem é gente
Nem é grande,
Por isso as tão poucas
Lagrimas fingidas
Que muito poucos notaram.
Sorrisos sim, na vida
E na morte,
Que dizem ser o inicio
De uma outra vida.
Então porque não sorrir?
Se nada acaba como deveria,
Só muda.
Tudo reflexo de tudo o que foi
E vai ser,
Tudo a mesma coisa partida.
Então eu sento e espero.