sexta-feira, 16 de novembro de 2007

DOS SENTIMENTOS





Joguem-me as pedras
Que não me pertencem,
Delas é o meu corpo
E o meu sentir ligeiro,
Leves plumas que eu acolho por inteiro
E a quem me entrego
Com a doçura do sabor de um beijo.
Joguem palavras, pragas, pesadelos,
Que a tudo acolho
Humilde e passageiro,
Serenamente frio
Como um mal amado
Com um toque fino de infantil desejo.
E assim me entrego
Tão avulso e leve
Como quem vive entre a paixão
E o desespero,
Pois amar tanto
É ter nas pedras seu destino
E se doar
É construir de pedras o seu ninho,
Sem retoque ou zelo.

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