
Construir estradas paralelas
Para caminharmos sempre juntos,
É como nos tecemos sobre um tempo
Que nos fez semelhantes
E nunca nada nos cobrou por isso.
Os leitos profundos nós os fizemos
Bordados de seda e espinhos,
Tapete estendido sobre rios e mares
Onde os pés que caminham são de ferro,
Deixando lisas as pedras onde passam.
Brandos cantares imitando hinos
Que aos nossos ouvidos sussurram:
Caminha,
Esmaga os espinhos e tece a seda
Com que se farão bandeiras festivas,
Colorindo noites e estrelas,
Como borboletas acordadas no meio da noite
E que recém despertas refletem puro sol,
Que abraçarão mundos e beijarão vidas.
Assim somos nós e nos fazemos
Como nuvens tranqüilas de paz
Que buscam pouso,
Como pés que cruzam oceanos
Em asas de encanto, como remos que desbravam
Procurando portos.
Somos os pés nus que semeiam bosques
Nas cordilheiras mais altas, somos flores e frutos
Que deixam marcas nos caminhos estreitos,
Onde a amizade é a sentinela
Do nosso amor que vai se construindo.

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