
Deixa o meu silêncio te percorrer
com meus olhos tortos,
jamais admitindo que te amo,
assim como as tuas mãos não precisam
nunca mostrar o quanto me querem,
Basta o teu respirar intranquilo
para traduzir o desejo indócil
que te inquieta.
Eu sei sempre o que esperar do que somos,
não são necessárias palavras entre nós,
sei ler os teus poros molhados um a um,
braile às avessas moldado em brasas
como um relogio que espera, tenso,
ansioso pela lição do próximo minuto.
Instinto nu que se proclama sempre em gloria,
de luzes ungido, de suór e febre,
caminho que me aproxima sempre, sem que eu queira,
armado em tatuagens de veias
que procuram morada em teu refugio profundo,
nascente de riachos quentes
cercados de bocas gulosas
que sugam meus vazios.
Instante em que sentimos tanto que não vemos
que entre o dia e a noite
somos sempre a madrugada aliviada
de um céu em chamas.

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