
Quanto desuso em minha pouca prosa
Que nem servir de entendimento serve,
Pensamentos em curvas,desvios sem setas,
Pois ninguém ouve meus sons
Nem minhas rimas,
Ninguém comigo o rico tempo perde.
Não sai de mim uma verdade viva
Merecedora de um fugaz olhar ligeiro,
Nenhuma prece, opinião, emenda,
Nenhuma febre pagã ou pestilência
Que sobreviva a um comentário passageiro.
Nenhuma referência ou curto riso
Da ilusão de um desencontro encomendado,
Nenhuma piscadela de comum entendimento,
Um gesto cúmplice,
Uma língua para fora, um cuspe, uma tosse forçada.
Falo então para dentro, para um eu desapontado
Que sempre só buscou no mundo um companheiro
Que ouvisse e repetisse as mesmas meias palavras,
Que nunca aplaudisse, que mesmo não gostasse,
Mas que ficasse ali, olho no olho, face a face,
Sòmente a impedir que eu me apagasse por inteiro.

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