quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

NERUDIANA 2




NERUDIANA 2


Volto a falar como quem passa
uma vida inteira buscando
em espelhos o sentido inconstante
dos desejos proibidos,
rabiscados sem definição na tua pele,
pergaminho indecifravel de contornos,
como um rio manso
que alisa vales e pomares
insistindo em fecundar a minha terra bruta,
chuva macia caindo em meus olhos
para sempre semeado desse teu encanto.
Cheiro de pó molhado, de vidraça antiga
respingada de vela,
viço de grama serenada estendendo tapetes
nos caminhos
para que eu sempre te encontre
e possa me fartar do teu encanto
e da tua boca pintada,
como se numa ultima e vaga tentativa de querer
eu pudesse para sempre entender o teu destino,
e compreender o porque da luz intensa
sempre envolvendo os teus cabelos
em sons de serenata e de pandeiros,
poder sentir com todas as verdades
o significado dos teus labios, tão desconhecidos,
entreabertos em prazer ou furia,
tãntas vezes para mim dissimulados,
tão apressados como uma brisa ligeira
que por nunca me pertencer não me importavam.

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