
Voltar ao fundo dos olhos da amada
pisando em conchas, no chiar da areia,
colar de sempre-vivas, enigmaticas
primaveras marinhas perfumadas
de sal e vento,
na caricia dos membros trespassados
em fios, ligeiros arrepios
na nuca que se curva em gozo,
cabelos em desalinho, pele em fogo.
Tocar de leve nos peitos com linguas viris
a deslocar ondas de absinto
e se perder de novo, zonzo, faminto,guloso,
mergulhando em nadegas sempre duras
como um monumento fabuloso.
Contornos de sereia a se cobrir de espumas
entre algas tramando mantilhas geladas e noturnas,
leves como o movimento de um sopro
em ouvidos atentos, musica de ventos,
passos calmos como espaços
onde se navega em silencio,
amor em silencio,
valsando lento em pleno cio.

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