
Perdão pelo meu pobre coração vazio,
pelos meus olhos que já não te encantam,
pelas mãos frias que já não te tocam
com o doce carinho do desejo.
O determinado tem sempre um tempo certo
e assim nos deixa sem qualquer aviso,
como se nunca pudéssemos escolher
como decidir, ou mesmo quando chorar.
A foice vem gelada como um abismo
e deixa as nossas entranhas expostas
ao triturar do tempo, tão intranqüilo,
a nos alimentar das pedras percorridas,
do visgo, de renuncias e de temporais sobrevividos.
Pisados nos tornamos areias e ventos não resolvidos
nesse eterno moer dos sentimentos, pulverizando a dor
que não sabemos, que não vimos,
onde não há perdão nem retornos,
onde o pó vai se tornando pesado
e cada vez mais sem brilho,
mais seco, estéril, tão desapercebido, como os amores idos.
Venho cada vez mais espalhado no esconder da noite,
da minha noite e como a faço,
sempre mais densa, mais impenetrável, mais dura,
cansado das minhas memórias tortas
que percorrem pontes que nunca terminam.
Não podemos adiar a compreensão do fim,
por isso hoje te sorrio tanto
e de forma tão triste.

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