
Vago pelos vazios insinuando amores, indo e voltando,
rodeando os meio fios
que permanecem entorpecidos e cansados,
e não encontro ninguém que anime o meu desejo.
Retomo começos e refaço caminhos,
que densos encobrem olhares e olfatos indefinidos
escondidos em sombras que nem sempre vejo,
nem sei se sou percebido, caçador ou caça,
intruso ou atrevido.
Sei que deixo rastros bem colocados,
bem à mostra as intenções de fato e o que persigo,
que nunca falam além dos rituais previstos.
Asfalto e lama,
asfalto, lama e chuva,
e meu querer desentendido, cio no deserto,
sede não saciada, frio.
A noite me coloca em transe de partida,
só mais uma volta, insisto,
mas o vazio permanece cego e calado
e meu desejo aflito.

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