sábado, 20 de junho de 2009

DAS INFINITAS PAIXÕES



Sou tua puta fiel, sou teu quebranto,
na bruta devoção do encanto sou teu guia,
lagarta que na gruta esguia te encasula
e sem remendos tece em seda o teu querer e sorte.
Por portos sem virtudes vou te levando transparente
a nortes indistintos, em febres penitentes,
escrava me tornando em teu suor, mel da minha gula,
sombra do teu pensamento errante
que mesmo ao não querer me chama, eu sei,
senhora que sou dos teus lençóis e tramas.
Dona do teu corpo e teu destino, tua sina insana,
sou quem sem te pertencer te apruma e comanda.
Come da minha mão, lambe minhas entranhas,
rasga o meu desejo com teu poder que engana,
que teus carinhos sejam meus, teus olhos, teu feitiço,
teus dedos de veludo tão profundo penetrando,
em nuvens me percorrendo, em fogo me inflamando,
como num mar sem tempo, sopro de vento me aprisionando.
Reza em mim, goza em meus ouvidos tua musica, teu canto,
a tua fúria pura e sem danos,
mata meu instinto insatisfeito do teu corpo,
químico e mundano, acuada em barrancos.
Assim sempre mais tua puta impaciente eu sou,
sou tua cama, sou teu sorriso mal aberto em sol ou lama,
sou tua rampa,
embora nunca bendigas meus amores
ou murmure uma só vez o nada que me ama.

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