
Primeiro eu tive que falar do mar
para que me soubessem
provedor de marés,
depois foram as pedras
que se somaram tantas
em meus turnos de vida e morte
que delas teci minha couraça.
E por fim o vento
completando o triangulo
sem vértices
das minhas descobertas imprecisas.
O vento como voz das minhas tantas bocas
que nunca mais se calaram
depois de descobrir a força do seu tempo,
o acalanto do pensamento acariciando as peles
e a percepção do infinito do momento.
Para falar do mar me fiz vento,
para falar do vento me despi das minhas pedras
permitindo o seu beijo me envolvendo,
para falar das pedras
novamente me fiz mar em movimento.

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