
Lembra de mim, eu peço inutilmente aos que passam,
eu sou aquele que já amou um dia,
imensamente mais do que em qualquer fantasia
e agora estou assim.
Eu sei de luas que surgiram e passaram por cima de telhados,
conheci gatos que nunca alcançaram a lua
e viveram sempre em senões de despedida, distantes e frustrados,
sei de amores que dormiram em silêncio e nada viram,
nunca viram luas ou souberam da paixão dos gatos.
Lembro de mim alimentado de sonhos, feliz, imenso, encantado,
quando amantes nossas bocas se entendiam, nossos corpos rolavam,
quando a eternidade nos dizia: eu sou teu sono, vem,
descansem tranqüilos ao meu lado.
E éramos do mundo a melhor parte, a parte viva
do intenso, o indiscritivel, o desejado,
a sensação de paz com que nos pertencíamos
o calor, a luz, o bem de estar lado a lado.
Lembra de mim, eu peço aos que passam,
desenhem meu contorno, fotografem meus lados,
eu fui alguém que amou um dia, tanto,
e já passei por aqui, por onde hoje passo,
já fui você que hoje me olha tão distante,
não se esqueça de mim, eu sou teu traço.

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