sábado, 20 de junho de 2009

RAIVA INCONSEQUENTE



Tem horas em que quero morder o vento
numa raiva heróica que atormenta,
tudo me bate forte pelos meios
justo quando minhas janelas estão abertas
e minhas entranhas limpas.
Então eu sinto a minha fúria preparando jatos
num silêncio de mêdo, numa paz de morte
sem aviso,
cavando buracos, torcendo, dividindo.
Então me escondo e passa,
tudo passa, zomba de mim o vento me despindo,
descubro a cabeça ( calma, respira )
e vou mordendo os lábios brancos e de venenos tinto,
com dentes em fiapos do ódio maldito
que engoli sorrindo.
E volto acreditando que não tive ódios,
nem raivas, nem motivo qualquer
que me instigasse o instinto.
( Quanta bondade ao se reconhecer pequeno,
indócil e irrascivel menino ! )
Vou me vendo mais tolo do que sou
enquanto queimo meus traços
remoendo razões que nunca tive,
vou naufragando estreito em meus domínios
sem posse de verdades que me beijem,
sem vantagens, sem vincos.

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