
Espero o teu traço em meu caderno,
um só rabisco,
alguma maneira do teu buscar meu riso
ou minha pele em arrepio,
tua seda em meus espinhos, teu pisar macio,
teu chegar de folha em vento em assobio.
Tua nudez bem feita onde se encontra
a face irreal de um desafio, o trânsito da carne,
o sentimento tosco e primitivo,
o desejo sem limites que a razão vai comprimindo
e sufocando, os freios diluindo...
Sempre tudo assim, da mesma trama feito,
a causa e o efeito do bem querer previsto,
a pausa do tempo acelerada em nosso peito
como uma bandeira que acredito, uma atitude,
o caminho de um leito,
impensáveis movimentos a cada instante revistos.
É sempre por paixão que se comete o instinto,
devoção que apegada se oculta
e permanece a destilar indícios, desafiar modelos,
enviesar caminhos,
meias palavras na boca, meios carinhos,
um adoçar de olhos, um desdém com jeitinho,
uma despretenção do pensar, uma réstia de vida,
para morrer calado, cúmplice audacioso do destino.

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