
Entre o teu corpo e o meu, cansados da luta,
uma gota de suor , como um orvalho,
desenha poemas ligeiros que roubo da tua pele.
Com a língua ainda doce do sono do entreato
me pinto em sal do mar, que te compõe sereia imaginada,
enrodilhada em ondas que te navegam em rendas
de um mar que ao te beber engole madrugadas
(e te transforma em tantas possibilidades
para ser mais de mil vezes amada).
Gaivota em baile, colcha de corais no profundo
das águas, reflexo de peixes,
sombra de qualquer luz indefinida em serena proporção
de delicadas alvoradas.
Vou flutuando sempre em teu caminho manso
que pede meu sono,
teu lago intenso oferecendo agrado e morada,
mergulhado em sempres e perdido em tempos
neste deixar morrer de paixão,
suicídio feliz em boa causa.

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