
Antes da palavra dos olhos
quero o teu cheiro
que me desperta e me chama
e me traz do longe onde estive.
Sopro morno da alma,
toque de leite puro, penetrante e doce
como não há musica nem lembrança,
nem beijo, nem brisa, nem euforia que marca .
Chegar da noite é percorrer teu cheiro
e nele aconchegar o acordar que tarda,
e se saber ancorado e firme, revigorado,
vivo e presente, como um nascer que basta.
Saber de um porto que não falha, ânfora lisa
preenchida de mel que purifica e acalma,
ter por completo um todo que ilumina
e sem saber bem porque, apenas sorrir,
fechar os olhos e levantar da cama,
que como um cofre se abre
para que eu saia.

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