sábado, 12 de fevereiro de 2011
AMANDA
Eu te encontrei parada na porta do tempo
sem saber se ficava ou se partia,
sem saber se chorava ou apenas sorria
para quem te amava, para quem buscava
sentido onde não havia.
Foi então que veio um vento
e carregou teu sonho, teus olhos, tua força
e teu momento, foi-se embora a razão
o querer e o sentimento,
o entardecer, as vozes, a alegria.
E assim meio sem cor, beirando a despedida,
meio sem jeito de ir na tua ida
o vento por fim te levou,
deixando vagos os lugares que ocupavam tua vida.
Nossos pedaços espalhados como ilhas
varridas, estéreis, presumidas,
ficaram sem saber, tão de repente,
se de amor ou de dor tua partida.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS
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