sábado, 12 de fevereiro de 2011
AMORES PERDIDOS
O meu amor te procura acelerado
como uma lixa faminta
querendo rasgar a tua pele em tiras,
buscando ternuras sempre faladas em pés de ouvidos.
Mas como um vento chato de fundo de quintais
que sopra lembranças em vicios profundos,
eu recebi meus avisos e parei, num movimento brusco:
eu sou e sempre fui o retorno dos ecos indecisos
que percorrem a alma em desafios
e só encontra por fim mais labirintos.
Com meus direitos calo então o meu desejo
e me desembrulho, só e sentado nas beiradas
vendo um outro outono que se vai no tempo,
mostrando mais uma vez que o desalento é sorte,
e por ser meu, meu movimento,
e que aos poucos, manso e tranqüilo como sempre
posso engulir a todos os entulhos.
E vou dourando neles minhas buscas famintas e meus lampejos
de loucura,
meus dolorosos instintos.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS
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