sábado, 12 de fevereiro de 2011

CIO DA NOITE





A noite se abre azul para a noite
enquanto corpos gelados se abraçam
sorrindo em cores confusas.
Beijos velados no escuro, nas moitas,
nas sombras dos postes, nos muros,
em buscas caladas em torno do vento.
Sorrisos presos em vestidos desamarrados,
amarelados de tempo e saudade,
presenças vendidas, virtudes, ausências,
risonhas estradas por sobre veludos, são corpos desnudos,
macios , que gritam, que riem, que cantam, que brincam,
que quebram a calma das almas no cio.
Caricias, calores, embalos da noite, pequenos vícios,
rançosos odores,
famintas jornadas, paixões arrumadas, felizes destinos
em poucos pudores.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS

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