sábado, 12 de fevereiro de 2011
CLAUDIANA
Construir estradas paralelas sobre linhas planas
para caminharmos sempre juntos,
é como nos contorcemos sobre um tempo
que nos fez semelhantes e nunca nada nos cobrou por isso.
Os leitos profundos nós os fazemos sempre,
independente de quereres, bordados de seda e espinhos,
tapete estendido sobre lugares indistintos
onde os teus pés que caminham são de ferro
envoltos em sapatos de algodão macio,
deixando lisas as pedras onde passam, beijando precipícios.
Brandos cantares imitando hinos aos teus ouvidos sussurram:
Caminha, vai, não tenha medo,
esmaga os espinhos e tece a seda
com que se farão bandeiras festivas em todos os domínios,
colorindo noites e estrelas, permitindo a vida,
estandartes de borboletas acordadas no encanto de luas
com suas asas leves vincando seus destinos.
Assim é você, como o desenrolar de um fio,
agudo prumo segurando pipas entre as nuvens
em inimitáveis rodopios, mãos em paz que fazem pouso
em tantos corações famintos,
sinalizando portos de repouso absoluto. Pés peregrinos
que cruzam oceanos despertencidos e indistintos,
em barcos de guerra, com remos resolutos,
recolhendo sentimentos tão por aí desavisados,
enchendo de virtudes mãos que vão pedindo.
São os pés nus os que semeiam bosques
nas cordilheiras mais altas, somando flores e frutos,
que deixam marcas nos caminhos estreitos,
que sinalizam os rumos
nas paredes tantas vezes sem éco dos mais profundos labirintos,
que vão mostrando o traço dos faróis nas noites escuras,
onde a amizade é a grande sentinela
de todo o amor que vai se construindo.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS
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