sábado, 12 de fevereiro de 2011
DAS BUSCAS DESENCONTRADAS
Conhecer, conhecer,
a se morrer de tanta busca em desencontros.
Nada, não há porque.
È muito vago o que se percorre em riscos
entre rabiscos e passos, caminhos lisos
em bocas frias, emoções em desalinho.
Crescer em que?
Melhores condições de amar, que é o preciso?
Mais entender?
Docilizar o ódio ou mutilar o tédio?
Só aprender estratégias de batalha de ventos
sem nunca saber voar
por entre esses pequenos mundos cegos,
tão em desapego, tão acabados, secos,
onde não se encontram mãos ou dedos
mas apenas entremeios por onde vazam os risos,
como ratos,
onde o olho não vê e a pouca fé já não conforta.
Conhecer o que?
O próprio instinto a ser domado, o medo?
O tamanho do pulo a ser dado, a razão
de todos os começos?
Conhecer para que, se as amarras continuam firmes
envolvendo os quereres em trevas e luto,
se as línguas se perpetuam presas, o saber em desuso,
se tudo é destino sem mudanças, sem retornos,
sem possibilidades,
para que colocar contornos em vultos?
Talvez o impulso em si responda
o que não respondeu a critica ou o senso,
o interno mutilado em caos absoluto.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS
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