Eu te percorro com o desejo manso dos meus dedos
que buscam no teu corpo noites, presságios, segredos,
como pinceis macios esticados na tua pele de lontra,
tão leves, decididos, desenhando no ar
imagens de festas e delírios.
Aos poucos, vestindo de ilusões de rendas o teu corpo,
de mar em silêncio,
vou me chegando em infinita maré de lua cheia,
invadindo o espaço aberto do teu sono,
provocando espasmos ligeiros, calafrios,
doces arrepios em teus ouvidos de seda
onde se acomodam bem os meus gemidos,
minha saudade sem pressa, meus dentes
te ferindo leve em tatuagens de gozo.
Como um animal faminto no despertar do cio
levanto meu corpo e disputo feroz tuas planícies,
desiguais em seus contornos lisos,
na impunidade das tuas coxas frias.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
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