sábado, 12 de fevereiro de 2011
DIÁLOGO COM AS ROCHAS
Primeiro eu tive que falar do mar
para que me soubessem
provedor de marés,
depois foram as pedras
que se somaram tantas
em meus turnos de vida e morte
que delas teci minha couraça.
E por fim o vento
completando o triangulo
sem vértices
das minhas descobertas imprecisas.
O vento como voz das minhas tantas bocas
que nunca mais se calaram
depois de descobrir a força do seu tempo,
o acalanto do pensamento acariciando as peles
e a percepção do infinito do momento.
Para falar do mar me fiz vento,
para falar do vento me despi das minhas pedras
permitindo o seu beijo me envolvendo,
para falar das pedras
novamente me fiz mar em movimento.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS
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