domingo, 13 de fevereiro de 2011
LUZ E ESCURIDÃO
Falamos de pedra e ar
e dos pressentimentos que temos,
falamos das tochas acesas
iluminando caminhos,
do carinho dos olhos, do pó e da lama,
dos pés sem destreza
que nunca chegam sozinhos.
Construímos com dentes os nossos destinos,
amarrados aos pequenos deuses
que nos espelhos descobrimos,
ocos, vazios, indistintos,
sempre trilhando emboscadas
e compartilhando labirintos,
girando, torcendo, prevenindo,
bebendo em goles tão secos
o pouco que possuímos.
Trajetos tortos de danças impuras
vão abrindo caminhos
em nossas vidas, em nossa luta sem raça,
em cirandas mal dançadas
em nossas ruas pequenas,
em nossos becos tão frios,
tapetes de poucos rumos trançados em vãos lamentos
com nós bem dados de sentimentos tão lindos,
corpos nus abandonados, virtudes desencontradas
a espera de um dominio.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS
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