sábado, 12 de fevereiro de 2011

A TUA PELE






Queria descobrir em tua pele o que ela ensina,
resinada em escamas de cismas como beijos indecisos,
como estoque de paixão sutil à fogo reduzida,
ou um sopro de canela em vento sem rumo
que muito leve assusta, implora e intimida.
Andar caminhos desatentos cobertos de orvalho e lírios,
como o tom da tua pele, que me indica em silêncio
que a medida da mão é sempre o olhar que passa,
que mata ou eterniza,
que o meu beijo acaba quando o teu carinho entra
pois é só meu vicio, é só o impulso de tormenta o que me fica,
enrolado em dedos toscos que te percorrem em garras,
que só de te desnudar não se contentam
e com seus mil olhos de tesão te experimentam,
e te lambem como um atleta no cio.
E fico aqui pensando comigo o que a tua pele ensina,
quando te rasgo com meus pelos, quando roubo teu cheiro
e em cansaço te deixo lívida no leito,
quando transformo em gozo o teu destino,
e te calo.
A.SOARES NETO-AMANTES INFIÉIS

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