segunda-feira, 17 de julho de 2023

sexta-feira, 14 de julho de 2023

domingo, 2 de julho de 2023

domingo, 25 de junho de 2023

sábado, 24 de junho de 2023


 

                                                                        VALER

 

Em vida, ato,

arte além do apenas,

tanto,

foco e respiro.

Deslumbre além das penas,

conteúdo e fato,

aldeia, rasgo, contato.

Toque, olho, faro.

Arte,

vida além do apenas,

impacto.


 

                                                                   REENCONTRO

 

Insisto em abanar as cinzas,

uma largueza a mais no nosso palco estreito.

Desejos em trilhos fáceis, claros entre falas suaves,

precisão em sonhos dobrados indecisos.

Olhares matreiros recolhidos

na provisão de possíveis escondidos.

Desacelerar o esgarçar do tempo, parco, faminto,

chegar exaustos na semelhança afinada

do que um dia poderia ter sido.

Tocar com dedos silenciosos a pele em segredos,

dormida em gritos,

rir sem jeito desse constrangimento

ousado e aflito.

Ondas em cheiros se reconhecendo,

fartura de encantos enroscados

em dividendos de um pertencer

sereno.

 

 

 

               


 

                                                       O SENTIDO DO TEMPO

 

Não importam horas ou dias,

o envelhecer não tem brilho

que gere expectativas.

A manhã espera a tarde,

que espera a noite,

que espera.

Estrada morna, dessalgada, insipida

em contradita escala,

breve e incompreensível.

Amores arquivados, desejos estreitos,

entendimento iludido,

coragem passageira na fumaça de sonhos

interrompidos.

Lentidão e comedimento na negação do dia.

Cansado de pertencer

e buscar sonhos em semelhanças,

vestígios em inserções murchas,

tropeços mutilam restos que enganam

enquanto o silêncio destila, amargo,

resignação.

 

 

 

 

 


 

                                                                 PROSEANDO

 

Palavra, língua em riso.

Curta deleita, longa suicídio,

som inconstante de orgasmo

incerto.

Prende, solta,

tanto vai como faz voltas,

precipita, arrebata,

transforma.

Mente em chamas

abandona, omite,

concorda,

afago de chibata

que ilude.

 


 

                                                                 MANCHAS

 

Não alegram sensações

de poucas cores.

Crescido em tinturaria

 onde a vida é forte

afago o talvez

com impressões possíveis

e duradouras.

Marcado

em formas densas

 e silenciosas,

cheiros agudos, vibrantes,

intensos, maduros,

de um galho a florescer,

mancho de amarelos intensos

a falta de sentido.

 


 

                                                                   MOTE

 

Poemas nascem da paixão

ou da dor,

algumas vezes do cansaço,

da raiva ou do vazio,

preenchimento audacioso

de situações inconstantes.

Como se a morte respirasse

por longos canudos

antes da efetiva sorte

e quisesse mostrar

que embora morte, é vida,

brigando para se manter

cicatriz.


 

                                                                   FARSA

 

Desbotado fado

de amor extinto ao meio,

quieto em guardados,

resumo de tempo

em desequilíbrio.

Prumo de avesso

atrelado ao pouco riso,

torto, desavisado,

insatisfeito e aflito.

Cheiro ácido de amor

adormecido,

mais rígido que morto,

etéreo, soprado,  

em assombro esquecido.


 

                                                                     DESCAMINHOS

 

Nos perdemos

caminhando em distância

de sombra e corpo,

não sabendo quando.

Apenas nos perdemos.

Como a noite o dia,

o fôlego a palavra,

a razão o sentido.

Em verdade nascemos

projetos de esquecimento.


 

                                                       BREVE CURSO

 

Manchas seguem destinos inexplorados

antes de dominadas em espelhos

ou caminhos.

Derrubam espaços em fúria

ou mordidas de ventos

e renovam curso

com obediência de riso navegável.

Em vida, encenando manchas,

buscamos inesperados,

saltos e sopros que nos marquem

onde não sabemos,

destinos sem diques que separem

liberdade entre cinzas choradas

e azuis revoltos.


 

                                                                   AUSÊNCIA

 

Mais nada

além de escuro e silêncio

naquele canto de escada

onde morou o riso.

Sombras desavisadas

passeiam triturando ecos,

recolhendo cheiros íntimos

impregnados nas cicatrizes

do muro desprotegido.

 


 

                                                               AMOR TARDIO

 

Esmeralda era flor tardia,

sem pétalas,

perfume nem se fala,

nem flor parecia.

O frasco seco,

pálido,

só guardou lembranças.