domingo, 25 de junho de 2023
sábado, 24 de junho de 2023
REENCONTRO
Insisto em abanar as cinzas,
uma largueza a mais no nosso palco estreito.
Desejos em trilhos fáceis, claros entre falas suaves,
precisão em sonhos dobrados indecisos.
Olhares matreiros recolhidos
na provisão de possíveis escondidos.
Desacelerar o esgarçar do tempo, parco, faminto,
chegar exaustos na semelhança afinada
do que um dia poderia ter sido.
Tocar com dedos silenciosos a pele em segredos,
dormida em gritos,
rir sem jeito desse constrangimento
ousado e aflito.
Ondas em cheiros se reconhecendo,
fartura de encantos enroscados
em dividendos de um pertencer
sereno.
O SENTIDO DO TEMPO
Não importam horas ou dias,
o envelhecer não tem brilho
que gere expectativas.
A manhã espera a tarde,
que espera a noite,
que espera.
Estrada morna, dessalgada, insipida
em contradita escala,
breve e incompreensível.
Amores arquivados, desejos estreitos,
entendimento iludido,
coragem passageira na fumaça de sonhos
interrompidos.
Lentidão e comedimento na negação do dia.
Cansado de pertencer
e buscar sonhos em semelhanças,
vestígios em inserções murchas,
tropeços mutilam restos que enganam
enquanto o silêncio destila, amargo,
resignação.
MANCHAS
Não alegram sensações
de poucas cores.
Crescido em tinturaria
onde a vida é forte
afago o talvez
com impressões possíveis
e duradouras.
Marcado
em formas densas
e silenciosas,
cheiros agudos, vibrantes,
intensos, maduros,
de um galho a florescer,
mancho de amarelos intensos
a falta de sentido.
BREVE CURSO
Manchas seguem destinos inexplorados
antes de dominadas em espelhos
ou caminhos.
Derrubam espaços em fúria
ou mordidas de ventos
e renovam curso
com obediência de riso navegável.
Em vida, encenando manchas,
buscamos inesperados,
saltos e sopros que nos marquem
onde não sabemos,
destinos sem diques que separem
liberdade entre cinzas choradas
e azuis revoltos.










